O COMEÇO
Este foi um dos primeiros e-mails que eu mandei pra uma galera. Conta a história de uma meia verdade que eu ouvi na tv e tentei argumentar ao maximo e expor meu ponto de vista.
Ele é bem extenso. Mas, como eu ouvi hoje. Uma obra só pode ser vista de forma integral, então, aí esta:
Acabei de assistir a uma reportagem no Fantástico sobre o exame da OAB e mandei um e-mail para eles propondo que realizassem um novo exame e gostaria de dividir minhas palavras com vocês. O texto é extenso, então eu peço que exercitem sua paciência com ele.Olá senhores.Eu gostaria de fazer uma crítica e ao mesmo tempo uma sugestão. Sou um dos bacharéis em direito que se formou em janeiro e prestou o último exame e, como a grande maioria, fui reprovado.Todos os noticiários estão nos tachando de burros de imbecis, a OAB diz que nosso resultado é pífio e que somos mal preparados. Eu gostaria de respeitosamente discordar do ponto de vista de nossos senhores advogados e sugerir critérios mais abrangentes para apurar a responsabilidade pela nossa reprovação em massa. Deixem-me explicar meu ponto de vista. No meio jurídico todos comentam que o exame da OAB fica mais difícil a cada ano que passa, o exame ao qual fui submetido provavelmente foi o mais difícil de todos. Sou formado pela Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro, instituição antiga e respeitável, uma das poucas que conseguiu nota máxima em todos os provões do MEC a que foi submetida e que dispensa apresentações e posso garantir que o índice de reprovações entre as entidades antigas e respeitáveis e as novas, entre as “boas” e as “ruins” não oscila tanto. Terminei meu curso no Paraná e prestei exame para a OAB Paraná, entidade à qual espero ter o orgulho de me filiar um dia.Pode parecer paranóia, mas há algum tempo atrás a OAB precisava aumentar seus quadros, o que conseqüentemente aumentaria a a arrecadação de anuidades e estenderia seus braços por todo o país. Hoje em dia, a OAB está em todos os lados e a arrecadação vai muito bem, basta ver a imponência das suas sedes. Porém, todo este aumento custou caro e o preço foi o aumento do número de profissionais no mercado. Ganhar a vida como advogado nunca foi tão difícil. Então, agora, eles não querem mais concorrentes e simplesmente nos fecharam a porta diminuindo de forma pragmática a concorrência. A verdade é que a grande maioria dos profissionais que estão estabelecidos e tem um nome não tem o menor medo da concorrência. Mas cinco por cento do total de advogados já é um número enorme e entre se indispor com seus colegas de profissão e silenciar, eles escolheram a opção mais cômoda.O aumento do número de faculdades de direito se deu durante o governo Fernando Henrique, através do Ministro da Educação, senhor Paulo Renato, que permitiu que qualquer faculdade fosse aberta sem o menor critério. A OAB protestou muito contra a abertura de tantas faculdades de direito e eu me recordo que foi uma luta árdua, porém foi coisa de Davi contra Golias e Golias ganhou, mas a OAB não descansou e como não venceu em uma seara, tentou em outra e é bem mais fácil e cômodo brigar com um bando de estudantes recém formados e desorganizados do que com o Governo Federal. Outra coisa, os nossos advogados que dizem que o nível das instituições de ensino é baixo ganharam muitos empregos de professores com a abertura delas porque não podemos nos esquecer que os mesmos advogados que nos chamam de burros são nossos professores nos bancos universitários. Dadas estas pequenas informações, gostaria de propor critérios mais abrangentes para uma segunda reportagem que vocês poderiam fazer:1) comparar as provas objetivas e subjetivas do exame da OAB deste ano com a de dez anos atrás e a de vinte anos atrás;2) comparar as provas do exame da OAB com as provas de admissão às carreiras de juiz de direito e promotor de justiça que, via de regra, deveriam ser mais difíceis por se tratarem de seleções para um número restritíssimo de vagas;3) submeter advogados, não os grandes advogados que são prodígios notórios, mas os advogados comuns, os que não conseguiram se destacar como grandes mestres do direito à prova que realizamos neste ano;4) apresentar as peças feitas pelos bacharéis que tentaram o último exame e foram reprovados nele a juizes e pedir-lhes para compará-las com as peças processuais com as quais se defrontam no dia-a-dia;5) comparar o índice de reprovação no exame da OAB entre as instituições antigas e as novas.Se fizerem tal comparação e, mesmo assim, for comprovado que a culpa está com os bacharéis recém-formados, aceitarei meu papel de redator de porcarias como as peças reprovadas foram qualificadas no Fantástico do dia 26 de junho de 2005, nem vou dizer que voltarei a estudar pois eu já estou fazendo isto, estudando todos os dias pois, como desempregado e sem profissão, só me resta estudar.Gostaria de salientar que não tenho intenção de lançar sombras sobre a hombridade da OAB, uma das instituições mais respeitadas e respeitáveis de nosso país, órgão indispensável para a representação do povo num Estado Democrático e Social de Direito e que defendeu o povo brasileiro em incontáveis vezes, porém, quero apenas me defender pois todos os que não são do meio e assistiram ao último Fantástico estão achando que o exame da Ordem é algo fácil e que nós não passamos por não sermos qualificados. Nenhum homem nasceu para ter sua capacidade intelectual posta em dúvida por senhores que deveriam honrar o nome da instituição que representam e não partir para a insustentável verborragia do desacato. Estou apenas exercendo o meu direito democrático de defesa da minha honra, direito pelo qual a OAB sempre lutou e que sei que vai respeitar como instituição democrática.
Cordialmente;
DANIVAL ROBERTO DIAS
Apenas Bacharel em Direito
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