BAILE DA UPE
Eu fui recentemente num Baile do Hawai (que deveria ser escrito hawaii) num clube camado UPE, lugar realmente famoso dentro do Microcosmo da minha pacata Santo Antônio da Platina. Este baile era famoso por reunir gente de todos os tipos à beira de uma enorme piscina que se apresenta suculenta para os bêbados e é o maior problema dos seguranças que lá trabalham.
Eu fui recentemente num Baile do Hawai (que deveria ser escrito hawaii) num clube camado UPE, lugar realmente famoso dentro do Microcosmo da minha pacata Santo Antônio da Platina. Este baile era famoso por reunir gente de todos os tipos à beira de uma enorme piscina que se apresenta suculenta para os bêbados e é o maior problema dos seguranças que lá trabalham.
A um certo tempo, a diretoria da UPE construiu uma espécie de terraço haja vista o exiguo espaço disposto ao redor da piscina dispondo um pouco das mesas naquela cobertura aumentando o espaço para trânsito e dança no térreo.
Bem, eu nunca prestei muita atenção àquilo porque vou lá para ficar bêbado e dividir minha atenção entre a piscina e as belas meninas que por lá transitam e cuja vista me faz sentir mais velho a cada baile que passa.
Mas neste sábado, talvez por não estar bebendo (tanto), talvez por não haver tanta gente (consequentemente tantas meninas) como nos outros anos ou talvez por estar meio frio e a piscina não se apresentar tão interessante eu olhei a tal cobertura com maior atenção. Ela está com três andares, talvez quatro. Era um negócio enorme onde rolava outra festa. Uma festa a parte onde os oitenta por cento do PIB municipal podiam se esconder dos noventa por cento da população restante, afinal, as eleições já se passaram e não existe mais razão para se misturar.
Do alto da sacada do seu pequeno Coliseu, os representantes do Império (econômico, social, sei lá, o pessoal que manda) podiam ver o povo transitando lá embaixo, ser admirados por eles, dar tchauzinho como estrelas de Hollywood. Do alto do nosso pequeno e patético Copacabana Palace, não tão pequeno e nem tão patético, de onde os ricos eram admirados, os remediados se sentiam aliviados por ali estarem, e com razão e os pobres, lá debaixo sonhavam em fazer parte daquele seleto grupo para poderem, lá de cima, se sentirem aliviados por não serem mais pobres ou admirados por serem ricos.
Como era lá em cima exatamente eu não sei, haviam seguranças na porta de entrada para manter o apartheid seguro para quem pagou para não ter que se misturar. Eu sei que o mivimento de garçons era grande, como não podia deixar de ser pois uma caracteristica da prosperidade é que eles não levantam da mesa pra nada pois tem sempre alguém atraz de um trocadinho pronto para servi-los.
Sei lá, eu não culpo ninguém, acho que se tivesse a oportunidade agiria do mesmo jeito.
Afinal. Este que é o maior furo da teoria da luta de classes, na minha opinião. Você não luta por você mesmo e a sua classe que se lasque.
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