A FESTA.Ontem eu fui a uma festa. Estava sóbrio. Não, eu não sou masoquista, apenas estou enfrentando uma leve gastrite. Bem, mas, fazia tempo que u não experimentava ir a um lugar desses totalmente de cara. E, por incrível que pareça, encontrei outro amigo que também estava sem beber. Isto no começo da festa. E lá fomos nós, de coração aberto, encarar os perigos que nos esperavam.
Bom, eu andei pra lá, andei pra cá. Reparei que aquele povo estava todo bêbado, falando cuspindo na gente, que dançavam bem igual a um bando de orangotangos. E quando aquele bêbado vem te abraçar. Te da um abraço que mais parece um mataleão e te usa como apoio para não cair. Nossa, quando aquele bêbado te toca, da vontade de arrancar o braço deles com um machado, parece que os caras vão te passar pulga ou pereba. Nossa, que raiva.
O pior é que todos ostentavam copos enormes de uísque com energético. Copos que pareciam maiores aos olhos de alguém que encara uma abstinência forçada. Aqueles copos exerciam um poder hipnótico sobre mim. Eu não sei porque, mas dava vontade de mergulhar dentro de um copo de uísque com energético. Ow vida amargurada.
Ah, meia hora depois que eu cheguei, encontrei novamente meu outro amigo sóbrio. Ele olhou para mim e disse secamente:
-Esse lugar é um blefe!
Foi minha deixa. Saí de fininho, não sem antes ter que emprestar dez reais para um camarada, e fui para a casa assistir um filme do Hitchcock.