O VELÓRIO
Hoje eu fui num Velório, não fui velar um malandro. Era uma criança de quatro meses. Eu nunca vi um cadáver criança, a não ser em mórbidas fotos de internet, mas nunca vi de perto. A mãe estava inconsolável, eu não consegui chegar perto dela. Não há o que dizer nessas horas. Sei lá, acho que não há pesar que se compare ao de uma mãe que vai viver mais que o filho. Uma vez eu fui no velório do pai de um amigo do meu pai, bem amigo, o velho morreu com setenta e nove anos, teve uma boa vida, gerou uma familia, é uma situação infinitamente mais fácil de encarar.
Quando eu dei de cara com o bebê, nossa, que coisa ruim. Era um bebezinho tão bonito. Quatro meses de vida. Ele era como um sonho que não deu certo. Mas um sonho muito grande, incomparavelmente maior doque aqueles pelos quais eu chorei. Quatro meses. Quem viver até agosto viverá mais que toda a existência daquela criança. Tudo bem, o mundo não teve a oportunidade de ser cruel com ele como foi conosco. Mas ao me deparar com um cadáver tão jovem, eu que sou jovem, me sinto tão ingrato. Ingrato por ser tão inconformado e tão revoltado, tudo bem, não é o caso de achar que tudo está um mar de rosas, mas nossa; na sexta-feira, eu estava bem bêbado e aconteçeu uma coisinha de nada. Eu olhava para o céu e gritava: "Vái, manda mais seu bosta! Você adora me fazer de bobo mesmo!!"
Nossa, eu to me sentindo tão mimado. Mais uma vez eu me vejo ajindo como quem eu odeio.
Perdão cara, perdão!
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